Modernização dos pagamentos exige adaptação às novas regras tributárias, investimentos em tecnologia e maior controle de riscos, apontam especialistas do setor
Reforma Tributária e IA desafiam setor de pagamentos; “Instituições precisarão investir em sistemas”, alerta CEO da PAGOS
Com apoio institucional da PAGOS, o Fórum Payment Anyway 2026 reuniu especialistas em São Paulo para debater os impactos da Reforma Tributária, da inteligência artificial e dos ativos digitais sobre o futuro do setor financeiro
A implementação da Reforma Tributária, a expansão dos ativos digitais e o avanço da inteligência artificial estão impondo novos desafios às empresas do setor financeiro. Essas transformações estiveram no centro das discussões do Fórum Payment Anyway 2026, realizado nesta segunda-feira (19), em São Paulo, pela Cantarino Brasileiro, com apoio institucional da PAGOS – Associação Brasileira do Ecossistema de Pagamentos.
O encontro abordou temas como split payment, agenda de recebíveis, stablecoins, tokenização de crédito e garantias, Banking as a Service (BaaS), mudanças no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) e inteligência artificial aplicada aos meios de pagamento. As discussões evidenciaram a necessidade de adaptação das instituições a um ambiente marcado por novas exigências regulatórias, maior digitalização e transformação dos modelos de negócio.
O movimento ocorre em um mercado cada vez mais dependente da infraestrutura tecnológica. Segundo a Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2026, realizada pela Deloitte, 83% das transações bancárias no Brasil ocorreram por canais digitais em 2025, sendo 78% realizadas pelo celular. O levantamento também aponta orçamento de R$50,4 bilhões dos bancos para tecnologia em 2026, crescimento de 8% em relação ao ano anterior.
Para Luiz Carlos Pereira, CEO da PAGOS, as mudanças exigem maior integração entre tecnologia, gestão de riscos e conformidade regulatória. “A Reforma Tributária e os novos modelos de serviços financeiros estão modificando a estrutura operacional do setor. As instituições precisarão investir em sistemas capazes de conciliar eficiência, segurança e atendimento às exigências regulatórias, sem comprometer a competitividade e a qualidade dos serviços oferecidos”, afirma.
Reforma Tributária e novos modelos financeiros
Entre os principais assuntos esteve o split payment, mecanismo previsto na Reforma Tributária que permitirá a separação e o recolhimento dos tributos no momento da liquidação financeira das operações. Sua implementação deverá exigir adaptações dos prestadores de serviços de pagamento, instituições financeiras e empresas do varejo, especialmente na integração de informações fiscais e financeiras.
A agenda de recebíveis e a tokenização de crédito e garantias também ganharam espaço nas discussões, diante das possibilidades de ampliar a eficiência das operações de financiamento. Ao mesmo tempo, a utilização de stablecoins e outros ativos digitais levanta questões relacionadas à segurança, interoperabilidade e supervisão regulatória.
Segundo dados do Banco Central, o Sistema de Pagamentos Instantâneos (SPI) processou 7,1 bilhões de transações em setembro de 2026, movimentando R$3,2 trilhões. No mesmo período, o Pix já havia ultrapassado a marca de 1 bilhão de chaves cadastradas no país. Os números reforçam a expansão dos pagamentos digitais e a necessidade de investimentos contínuos em infraestrutura tecnológica, segurança e interoperabilidade para acompanhar a evolução do setor.
Outro tema foi o Banking as a Service (BaaS), modelo que permite a empresas oferecer serviços financeiros por meio de instituições autorizadas. Sua expansão amplia as oportunidades de integração entre tecnologia, crédito e pagamentos, mas também exige maior clareza sobre responsabilidades operacionais e mecanismos de controle. No mercado de benefícios, as discussões sobre o PAT envolveram os impactos das mudanças regulatórias sobre a concorrência, os estabelecimentos comerciais e as empresas do setor.
Inteligência artificial e segurança nas operações
A aplicação da inteligência artificial aos meios de pagamento também esteve entre os assuntos do fórum, especialmente nas áreas de prevenção a fraudes, análise de riscos, automação de processos e experiência dos usuários. O avanço dos pagamentos agênticos, nos quais sistemas inteligentes podem executar etapas de transações mediante autorizações e parâmetros definidos, amplia o debate sobre segurança, transparência e responsabilidade.
“A inteligência artificial amplia a capacidade de processamento e análise das instituições, contribuindo para identificar riscos e automatizar operações. Entretanto, sua adoção exige governança, proteção de dados e mecanismos de supervisão. A inovação precisa avançar acompanhada de confiança e segurança para que seus benefícios sejam efetivamente incorporados ao mercado”, avalia Ernesto Haikewitsch, Diretor Executivo de Marketing, Produtos e Serviços da PAGOS.
A PAGOS, que apoiou institucionalmente o Fórum Payment Anyway 2026, destaca a importância da aproximação entre instituições financeiras, empresas de tecnologia e especialistas regulatórios para acompanhar as transformações do setor. A combinação entre novas regras, digitalização e inteligência artificial deverá manter a modernização da infraestrutura e a gestão de riscos entre as prioridades do ecossistema brasileiro de pagamentos.
Informações do release
Organização responsável: PAGOS – Associação Brasileira do Ecossistema de Pagamentos
Data de referência: 21/10/2026
Localidade: São Paulo — São Paulo — Brasil
Fonte principal: Ernesto Haikewitsch, Diretor Executivo de Marketing, Produtos e Serviços da PAGOS, PAGOS - Associação Brasileira do Ecossistema de Pagamentos
Entrevista: fonte disponível para solicitações de jornalistas.
Transparência
Financiamento: Não se aplica
Conflito de interesses: Não
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