Procedimento utiliza recursos de desenho, pigmentação, luz e sombra para reconstruir visualmente a aréola e amenizar marcas deixadas pela mastectomia.
Cerca de 78,6 mil brasileiras devem receber o diagnóstico de câncer de mama, segundo estimativa do Instituto Nacional de Câncer (INCA). Para parte das mulheres submetidas à mastectomia, no entanto, o fim do tratamento contra a doença não significa necessariamente o encerramento do processo de recuperação. Depois das cirurgias e da reconstrução mamária, há ainda etapas relacionadas à aparência das mamas, à autoestima e à maneira como essas mulheres voltam a reconhecer o próprio corpo.
Uma delas é a reconstrução visual da aréola. A micropigmentação paramédica utiliza pigmentos, desenho e recursos de luz e sombra para reproduzir características como formato, tonalidade, textura e profundidade. O objetivo é criar uma aparência natural e integrar visualmente as cicatrizes deixadas pelas intervenções cirúrgicas.
Foi a partir do atendimento a mulheres que passaram por mastectomias, reconstruções mamárias e outras cirurgias que a brasileira Flávia Souza desenvolveu a Aréola Thera®, técnica de reconstrução areolar baseada na micropigmentação paramédica. O método busca reproduzir visualmente a aréola e diminuir a percepção das marcas deixadas pelo tratamento.
A importância dessa etapa para mulheres que passaram pelo câncer de mama já aparece em estudos científicos. Uma pesquisa publicada em 2018 e disponível na National Library of Medicine, quando o procedimento ainda era amplamente tratado como “tatuagem areolar”, mostrou que todas as pacientes avaliadas relataram satisfação com o resultado após a conclusão da reconstrução.
Para Flávia, a técnica passou por avanços significativos desde então. “Hoje conseguimos criar um resultado extremamente natural, capaz de integrar a cicatriz ao desenho da aréola. O mais importante é que as mulheres voltam a olhar o próprio corpo sem enxergar mais a doença, mas veem a si mesmas novamente”, afirma.
Quando o espelho também faz parte da recuperação
Para mulheres que atravessaram o câncer de mama, as transformações provocadas pelo tratamento podem continuar sendo percebidas mesmo depois da recuperação clínica. A advogada Maria Luisa conta que enfrentou dificuldades para lidar com as mudanças em seu corpo.
“Sempre é dito que se trata de uma cirurgia simples. De repente eu estava deformada”, relata.
Marilei Ribeiro teve uma experiência semelhante. “Além de doloroso, foi impactante para minha autoestima. Eu não reconhecia mais o meu corpo”, revela.
Os relatos ajudam a dimensionar uma questão que ultrapassa o resultado estético. Para algumas pacientes, reconstruir visualmente a aréola significa também deixar de associar imediatamente a própria imagem às marcas da doença e do tratamento.
Depois de realizar o procedimento, Maria Luisa descreve essa mudança de maneira simples: “Hoje, meu maior desafio é escolher que roupa vou usar”.
Técnica brasileira ganha espaço internacional
O desenvolvimento da Aréola Thera® surgiu de uma trajetória dedicada ao desenho, ao estudo da micropigmentação e ao atendimento de mulheres que tiveram a aparência das mamas modificada por procedimentos cirúrgicos.
Especializada em micropigmentação paramédica, Flávia Souza conquistou o título de campeã mundial em reconstrução areolar e passou a apresentar seu trabalho também fora do Brasil.
Em 2026, a brasileira foi convidada para apresentar a Aréola Thera® na WULOP Portugal, congresso internacional que reúne profissionais da estética e da micropigmentação de diferentes países. Durante o encontro, Flávia apresentou os fundamentos do método, compartilhou casos clínicos e abordou os avanços da micropigmentação paramédica aplicada à reconstrução areolar.
A participação internacional também chama atenção para uma etapa do tratamento que nem sempre recebe a mesma visibilidade das cirurgias e dos procedimentos médicos: a relação da mulher com o próprio corpo depois do câncer. Nesse contexto, a reconstrução areolar deixa de ser apresentada apenas como um recurso estético e passa a integrar uma discussão mais ampla sobre autoestima, identidade e qualidade de vida após a mastectomia.
Informações do release
Organização responsável: Dcom Assessoria
Data de referência: 09/08/2026
Localidade: São Paulo — São Paulo — Brasil
Fonte principal: Flávia Souza, Micropigmentadora paramédica, Flávia Souza
Entrevista: fonte disponível para solicitações de jornalistas.
Transparência
Financiamento: Não se aplica
Conflito de interesses: Não se aplica
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